O processo penal é apenas um dos âmbitos de responsabilização de pessoas físicas e/ou jurídicas no sistema jurídico brasileiro. A dimensão de uma tragédia-crime como a ocorrida em Brumadinho, com o rompimento da barragem B1 da VALE, gera uma forte e contínua movimentação em todo o sistema jurídico.
Nesta página, reunimos todos os processos administrativos que, de alguma forma, responsabilizaram pessoas jurídicas e/ou físicas pelo rompimento da barragem da VALE. Esses processos administrativos possuem rito e finalidade próprios, uma vez que cada órgão da administração pública atua em áreas específicas e vinculadas a temáticas determinadas.
As punições envolvidas nesses processos não incluem a restrição da liberdade dos acusados. A responsabilização, nesses casos, ocorre por meio da aplicação de multas compatíveis com o dano causado e/ou pela suspensão da possibilidade de prestação de serviços ou do exercício de atividade profissional pelos envolvidos.
Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
EM ANDAMENTO
Processo administrativo sancionador conduzido pela Comissão de Valores Mobiliários, órgão administrativo que apura a responsabilidade de pessoas físicas e jurídicas por infrações ao mercado de valores mobiliários.
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MG)
EM ANDAMENTO
Processo administrativo que visa apurar a denúncia de má-conduta profissional por Engenheiros diretamente ligados ao rompimento da Barragem B1 da Vale.
A busca pela responsabilização dos agentes envolvidos no rompimento da Barragem B1 em Brumadinho, não se deu exclusivamente pelo Poder Judiciário. Ela alcançou também a esfera da Administração Pública, como é o caso da atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
De extrema importância, mas ainda pouco conhecida pelo grande público, a CVM é uma autarquia vinculada ao Governo Federal responsável por regular, fiscalizar e desenvolver o mercado de capitais no Brasil. No caso de Brumadinho, a CVM não tem competência para julgar crimes de homicídio ou danos ambientais. No entanto, como a Vale é uma companhia aberta com ações listadas na bolsa valores, cabe à CVM avaliar se os seus diretores atuaram conforme as boas práticas e deveres exigidos pelas leis societárias.
Processo administrativo que visa apurar a denúncia de má-conduta profissional por Engenheiros diretamente ligados ao rompimento da Barragem B1 da Vale.
A CGU (Controladoria-Geral da União) é o órgão do governo federal que fiscaliza como o dinheiro público é usado e trabalha para combater a corrupção. Ela faz isso através de auditorias, investigações internas e ouvidoria.
Depois que a Barragem B1 se rompeu, em 25 de janeiro de 2019, matando 272 pessoas, a CGU abriu um processo administrativo (ou seja, fora da esfera criminal) contra a Vale. O objetivo era descobrir se a empresa, antes da tragédia, desrespeitou regras de integridade que ela mesma se comprometeu a seguir — tanto por lei quanto por seu próprio estatuto — perante os órgãos estaduais que fiscalizam a segurança de barragens.
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