Contraste

Observatório das Ações PenaisLogo Observatório

PARTICIPE
Instagram
Habeas Corpus (Fabio Schvartsman)

Após decisão do STJ, Justiça Federal reinclui Fábio Schvartsman em ações penais por Brumadinho

Vara federal em BH abriu dois novos processos para que o ex-presidente da Vale apresente defesa prévia em até 100 dias Lucas Ragazzi Publicado originalmente por O Fator, em 7 de maio de 2026. A Justiça Federal em Minas Gerais […]

Vara federal em BH abriu dois novos processos para que o ex-presidente da Vale apresente defesa prévia em até 100 dias

Publicado originalmente por O Fator, em 7 de maio de 2026.

A Justiça Federal em Minas Gerais determinou o retorno do ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman ao banco dos réus na ação criminal pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. A mesma decisão gerou a abertura de dois novos processos exclusivos para que o executivo apresente defesa prévia em até 100 dias.

O despacho da 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, assinado na tarde desta quinta-feira (7) pela juíza Raquel Vasconcelos de Lima, atende a solicitação da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (Avabrum), que pedia a reinserção de Schvartsman na ação penal.

A medida foi tomada após comunicação oficial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o julgamento de um recurso da defesa do ex-CEO, em 7 de abril, quando a 6ª Turma da Corte, por três votos a dois, restabeleceu a condição de réu do executivo.

O colegiado acolheu recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que havia trancado a ação penal em relação ao ex-presidente da mineradora em março de 2024.

No recurso, a procuradoria sustentou que o TRF-6 extrapolou os limites do habeas corpus ao examinar de forma aprofundada as provas, já que a medida se destina a verificar apenas ilegalidades evidentes. Para o MPF, a análise indevida afastou a competência do Tribunal do Júri para avaliar os indícios sobre os crimes contra a vida.

Ao acolher o pedido, a 6ª Turma entendeu que a denúncia descreve de maneira satisfatória a atuação de Schvartsman e aponta elementos mínimos de autoria para dar seguimento à persecução penal.

Com o recurso aceito, o STJ reformou o acórdão do TRF-6 e denegou a ordem de habeas corpus, reintegrando Schvartsman às ações penais. Com base nisso, a vara federal em Belo Horizonte determinou que o nome do ex-presidente da Vale voltasse a constar nos processos.

Desmembramento

Como o executivo foi excluído antes de apresentar resposta escrita à acusação, a juíza determinou o desmembramento dos autos, com a formação de dois novos processos em que ele figurará como único acusado. Após isso, a defesa será intimada para protocolar a resposta em até 100 dias.

O rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019, deixou 270 mortos e se tornou uma das maiores tragédias socioambientais do país.

denúncia original, apresentada na Justiça de Minas Gerais e posteriormente ratificada pelo MPF após a remessa do caso à esfera federal, aponta Fábio Schvartsman, outros dirigentes da Vale, a própria mineradora e a Tüv Süd por homicídio e crimes ambientais.

Desde 2020, familiares das vítimas e entidades como a Avabrum acompanham a tramitação das ações penais e defendem que todos os dirigentes indicados pelo Ministério Público sejam julgados pelo Tribunal do Júri.